Maternando Sonhos (Para homens e mulheres)

Desde que tive meu filho algumas palavras ganharam um novo sentido em minha vida, algumas que nunca usei até então, passaram a ser tornar frequentes ou mesmo adaptadas a outras coisas. Talvez se não conhecesse esse universo da maternidade não usaria a palavra “maternar”, mas percebo que já o fazia há muito tempo em minha vida, mesmo não sendo mãe. Por isso o texto hoje não é específico para mulheres, sim para todos aqueles que tem sonhos e projetos a realizar.

Maternidade é uma palavra que nos leva a pensar no nascimento de um filho e no tornar-se mãe. Tornar-se mãe não é um processo único, do tipo nasceu a criança e a mãe estará pronta. Mesmo a criança tendo sido formada no seu ventre há um tempo de adaptação, no qual a possibilidade de um período de melancolia, medo e até depressão podem ser muito presente. Embora haja uma imensa cobrança, inclusive de outras mães, para se estar feliz e realizada, pronta para o que der e vier, isso não é tão fácil. Não se liga a chave automaticamente, tudo deve ser aprendido, desde a dividir o tempo, o corpo, cuidados com a criança, lidar com fases de desenvolvimento, birras, dificuldades da criança que também está se adaptando ao mundo, e sobretudo nossa criança interior que teima em aparecer a cada obstáculo.

Tá, e o que isso tem a ver com sonhos e projetos?

Muito! As pessoas de modo geral acham que para realizar sonhos, basta sonhar, basta querer, mas não querem passar por todo o processo que existe até a realização deste sonho, até se tornar um projeto, até se tornar uma realidade. Sonhar é ter uma visão! Alguns sonham mais outros menos; alguns sonham com coisas grandes outros nem tanto; alguns sonham acordados outros dormindo; e há ainda aqueles que sonham e nunca realizam e aqueles que realizam um sonho atrás do outro.

Nosso foco nesse artigo é sonhe sim, mas pague o preço para realizar esse sonho, passe pelo processo da dor do crescimento, da escolha, do ajuste de rotas, de lutar pelo que se quer e, principalmente, da espera produtiva, que é aquela que se faz a própria parte e, como nem tudo está no nosso controle, espera a parte que não nos cabe, aprendendo inclusive a dicernir a hora de mudar. Tudo isso não vem em um processo linear, equilibrado e fácil, vem de acordo com nossas emoções que vamos aprendendo a organizar todos os dias. Tem dia que a ansiedade virá com tudo, tem dias que uma certa melancolia. Por vezes virá um entusiasmo tão grande e ainda uma motivação para luta que nos faz seguir em frente. Pode ser que precisemos “desenhar” no papel nosso projeto por inúmeras vezes, buscar cursos, conversar com pessoas que estão no mesmo caminho, e até adaptar esse sonho à realidade.

Sim, adaptar à realidade quer dizer que nem tudo sai do nosso jeito, que por vezes tudo nos exige uma adaptação, uma correção de rota e isso não significa que está no caminho errado. Significa que podemos e precisamos mudar para alcançar o melhor que podemos, não que queremos. E está tudo bem!

Escrevo esse texto para você que tem um sonho. Uma carreira nova ou mesmo crescer na carreira escolhida; um filho, um relacionamento novo ou fazer novo o seu relacionamento, ter amigos e desenvolver networking, comprar um carro ou uma casa, ou mesmo viver em uma casinha de sapê. Sonho é individual, não se pode dizer que está certo ou errado. Muitas vezes correremos esse caminho sozinhos, olhando por dois, mas se pudermos ter pessoas que compartilhem do mesmo sonho conosco, se pudermos ter profissionais que nos ajudem ou mesmo recorrer aquela boa oração, tudo bem. Não somos tão autossuficientes assim e porque deveríamos ser se o caminhar junto nos fortalece, nos ajuda a enxergar e ainda a corrigir caminhos?

Vamos “maternar” nossos sonhos com coragem, porque assim como um filho que não “podemos devolver para a barriga” depois que nasce, para o sonho não existe retorno, só existe olhar para frente e acreditar, aprender, lutar, seguir, corrigir, adaptar, enfim, realizar ou transformar.

Enfim, para aqueles que acham que conhecem pessoas sem sonhos ou aqueles que se consideram sem sonhos, talvez só falte coragem de assumir aquilo que se sonha. E se esconder através de um “não sei” ou “tanto faz” é apenas um mecanismo de defesa, assim não tem que assumir a responsabilidade ou mesmo lidar com a frustração que pode ter ao longo do caminho com cada obstáculo.

Maternidade não é sinônimo de mar tranquilo, é sinônimo de mar agitado, de ondas ora pequenas ora grandesgrandes, alguns com pedras e bancos de areia no fundo, porém sempre com uma paisagem linda no porvir.

Pense nisto!